O Chico de nossa Memória

O Chico de nossa Memória

Por Marival Veloso de Matos, Presidente da União Espírita Mineira

Chico Xavier
Quando o conheci na década de 50, sua idade era de 46 anos.

Tinha por características físicas ser gordinho, de uma gordura “roliça”, sem protuberâncias destacadas. Era de baixa estatura. Dava pra perceber que suas vistas não eram normais, portavam enfermidades.

Sua risada era “gostosa”, e bem audível.
Tinha por princípio ser igual para com todo mundo. Dificilmente esquecia o nome das pessoas.
Por conta desse destaque um dia lhe perguntei:

– Chico, por que você não esquece os nomes das pessoas? No que ele retrucou de pronto:

– O Emmanuel me disse que onde há amor, não há esquecimento. Pensei: Podia dormir sem essa, eu que sou péssimo para guardar nomes.

Quando mudamos para Uberaba, a 31 de março de 1960, o Chico lá já estava desde janeiro de 1959. Se nossa convivência em Monte Carmelo era esporádica (só pelos Natais de 1956 a 1958) na hospitaleira capital do Zebu, aos poucos a convivência foi se aprofundando, principalmente porque fui tornando-me mais maduro, mais compenetrado.

Lembro com saudades que nos meus primeiros encontros com o Chico, às vezes eu ensaiava falar-lhe de Doutrina Espírita, de livros etc. Mas… à medida que me aproximava dele, a inibição
se apossava de mim. Aí o Chico é que de propósito vulgarizava a conversa. E como sabia que eu gostava como gosto, de música, de cantar, e como estava em plena efervescência o movimento da “Jovem-Guarda”, o Chico cristãmente me tirava daquela constipação cultural indagando-me desembaraçadamente: – Marival, e a Wandeca? O ambiente alterava-se totalmente. O assunto agora era jovem guarda, em que a cantora Vanderleia era um dos ícones. Chico era assim.

Centro Espírita Antonio de Oliveira Desde 14/09/1947